Entre tambores, versos e umbigadas, Mãe Beth mantém viva uma das expressões mais fortes da cultura popular pernambucana.
O som dos tambores, o canto puxado pelo mestre e a roda que se forma para celebrar a cultura. No Coco de Umbigada, tradição popular presente em diferentes territórios de Pernambuco, música, dança, memória e ancestralidade se encontram. É nesse universo que se destaca a trajetória de Mãe Beth, importante referência na preservação e difusão dessa manifestação cultural.
Mais do que uma dança, o coco representa uma forma de encontro e de transmissão de saberes. Na roda, os participantes cantam, dançam, improvisam versos e seguem o ritmo marcado pelos instrumentos de percussão. A tradicional umbigada, característica de diferentes formas do coco, simboliza o convite para que outra pessoa entre na roda e dê continuidade à brincadeira.
Uma cultura que atravessa gerações
A força do Coco de Umbigada está justamente na capacidade de reunir diferentes gerações. Os mais velhos compartilham cantos, ritmos e histórias, enquanto crianças e jovens aprendem participando das rodas e vivenciando a tradição.
Nesse processo, mestres e mestras da cultura popular cumprem um papel fundamental. É através deles que conhecimentos muitas vezes transmitidos oralmente continuam circulando e ganhando novos significados.
Mãe Beth faz parte dessa construção. Sua atuação está ligada à valorização da cultura popular e à defesa das tradições de matriz afro-brasileira, colocando o coco como instrumento de memória, identidade e pertencimento.
O coco como resistência
Em Pernambuco, manifestações como o coco carregam histórias de comunidades negras, trabalhadores, pescadores, agricultores e moradores das periferias. São expressões culturais que nasceram e se desenvolveram em espaços de sociabilidade popular e que continuam sendo reinventadas.
Por isso, preservar o coco também significa preservar histórias que muitas vezes ficaram fora dos registros oficiais.
Nas rodas, a ancestralidade aparece no ritmo, nos instrumentos, nos versos e na própria forma coletiva de ocupar o espaço. O corpo dança, mas também conta histórias.
A roda como espaço de encontro
Uma das características mais bonitas do Coco de Umbigada é seu caráter coletivo. Não existe uma apresentação completamente separada do público: quem está assistindo pode ser convidado a entrar na roda, cantar, dançar e participar.
Essa dinâmica transforma a manifestação em um verdadeiro espaço de convivência.
O coco aproxima pessoas, fortalece vínculos comunitários e cria momentos em que a cultura deixa de ser apenas espetáculo para se tornar experiência compartilhada.
Mãe Beth e a preservação da cultura popular
A trajetória de Mãe Beth representa a importância dos mestres e mestras que dedicam suas vidas à manutenção das tradições populares.
Em um cenário de constantes transformações culturais, iniciativas como as rodas de coco ajudam a garantir que conhecimentos transmitidos de geração em geração não sejam esquecidos.
Valorizar Mãe Beth é também reconhecer a importância de toda uma cadeia de pessoas que mantém viva a cultura popular: músicos, dançarinos, artesãos, produtores, brincantes, comunidades e, principalmente, os mestres e mestras que carregam esses saberes.
Pernambuco é feito de muitas rodas
Do litoral ao Sertão, Pernambuco possui uma das cenas de cultura popular mais diversas do Brasil. Maracatu, ciranda, cavalo-marinho, caboclinho, frevo, repente e coco são algumas das manifestações que ajudam a construir a identidade cultural do estado.
Dentro dessa diversidade, o Coco de Umbigada ocupa um lugar especial por sua força comunitária e por sua capacidade de transformar música e dança em instrumentos de memória.
Na roda de Mãe Beth, tradição e presente se encontram. Os tambores continuam tocando, os versos continuam sendo cantados e novas gerações continuam chegando para aprender.
Porque enquanto houver roda, haverá memória. E enquanto houver quem cante, dance e ensine, a cultura popular continuará viva.
O Coco de Umbigada não é apenas uma manifestação do passado. É cultura viva, presente e em constante movimento. E nomes como Mãe Beth ajudam a garantir que essa história continue sendo contada, cantada e dançada.


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