Entre os dias 5 e 7 de setembro de 2025, o Recife viveu três dias intensos de expressão cultural, vivência comunitária e celebração artística com a 13ª edição do Festival Internacional de Artes Pão e Tinta, que tomou conta da Comunidade do Bode, no Pina, Zona Sul da cidade.
Tema e homenagens
O festival deste ano teve como tema “Quebrada de Mar e Mangue”, alinhado ao contexto ambiental, à cultura local e à ancestralidade presente no litoral pernambucano.
Além disso, a edição homenageou duas figuras fundamentais da cultura e do pensamento brasileiro: Chico Science, símbolo do movimento Manguebeat, e Josué de Castro, intelectual que dedicou sua vida ao combate à fome e às causas sociais.
Arte e programação
Durante os três dias de festival, cerca de 30 artistas — locais, nacionais e alguns internacionais — transformaram a paisagem urbana do Bode, grafitando muros e espaços com murais que dialogavam com identidade, resistência periférica, preservação ambiental e ancestralidade.
A programação contemplou uma diversidade de atividades culturais:
- Oficinas: grafite com Libras, painéis táteis para pessoas com deficiência visual, audiodescrição ao vivo e sinalização inclusiva.
- Batalhas de rima e rodas de diálogo sobre hip-hop, cultura periférica, direito ao território e à cidade.
- Shows e performances de rap, coco, dança de rua, poesia falada.
- Leilão de obras com artistas convidados, com parte dos recursos destinados a ações culturais locais. As doações também expandiram o acervo da Pinacoteca Pão e Tinta.
Inclusão, acessibilidade e comunidade
Um dos destaques mais marcantes do Pão e Tinta 2025 foi seu compromisso com inclusividade e direito à cidade. Muito mais que arte visual, tratou-se de ocupar espaços públicos, promover engajamento e garantir que pessoas com diferentes perfis participassem plenamente. Algumas iniciativas de destaque:
- Oficinas adaptadas com Libras
- Audiodescrição e painéis táteis
- Sinalização acessível
Outra dimensão importante foi o uso da arte como instrumento político e de afirmação territorial. Moradores e visitantes puderam refletir sobre as tensões do espaço urbano, desigualdades, marginalização e memória local.
Impactos, impressões e desafios
A percepção geral é de que o festival cumpriu muito bem o papel de dar visibilidade às artes periféricas, de criar diálogos e de ocupar o espaço público com beleza, crítica e esperança. A arte grafitada deixou marcas visuais fortes, e as rodas de diálogo ecoaram muito além dos muros.
Desafios, no entanto, ainda persistem: infraestrutura para suportar grandes eventos em áreas periféricas, continuidade de ações culturais depois do evento, financiamento, visibilidade midiática ampliada, manutenção das obras criadas, participação de ainda mais artistas locais e garantia de que o festival siga acessível para todos.
Conclusão
O Festival Pão e Tinta 2025 foi, sem dúvida, uma demonstração de que arte e cultura podem (e devem) ser instrumentos de transformação social. Mais do que um evento, foi uma ocupação simbólica: da Quebrada, do Mar, do Mangue — e do direito de pertencer, criar e resistir.
Se o futuro do festival caminhar no rumo que essa edição indicou, ele seguirá sendo referência de arte urbana, cultura periférica e ativismo cultural no Recife, mostrando que os muros podem contar histórias, levantar demandas e servir de tela para um futuro que inclui a todos.







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