Contexto e Arquitetura
O casarão tombado no número 348 da Rua Manaus, no bairro Santa Efigênia, foi construído entre 1912 e 1913 como Hospital Militar da Força Pública Mineira, com capacidade para cerca de 60 leitos.
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Ocupação Transformadora (2013)
Em 26 de outubro de 2013, um grupo de mais de 40 artistas e ativistas ocupou o imóvel, a partir de uma ação performática que ocorreu com figurinos, guarda-chuvas e coreografia urbana.
A ocupação teve como principal meta salvar o casarão da deterioração e transformá-lo num centro de formação artística e política autogestionado.
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Quem foi Luiz Estrela?
Luiz Otávio da Silva, conhecido como Luiz Estrela, era morador de rua, poeta e artista performático homossexual. Mártir da cultura marginal, foi assassinado em junho de 2013. A ocupação homenageou sua identidade ressignificada na pele, no nome e na luta — estampados em tatuagem, grafites e performances — e batizou o espaço em sua homenagem
Outras Palavras.
Autogestão, Cultura e Ativismo
Hoje, o Espaço é gerido de forma coletiva, envolvendo cerca de 90 participantes que tomam decisões em assembleias, pautados por estatutos antiautoritários, antirracistas, anticapacitistas e pró-LGBTQI+ . Agrupa núcleos de patrimônio, teatro, audiovisual, histórico, antimanicomial, música e autogestão.
Em 2020, recebeu o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, principal reconhecimento nacional em preservação do patrimônio
Universidade Federal de Minas Gerais
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Legado e Futuro
Com dez anos de trajetória, o Centro continua a resgatar a memória histórica do bairro e da cidade, mantendo marcas do tempo e das ocupações anteriores — desde inscrições de internos do hospital infantil até as camadas históricas da arquitetura . O objetivo não é embelezar o espaço por completo, mas preservar as camadas históricas — as “trincas, descascados e memórias” — como ressignificação cultural e política
UAI
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Aberto e atuante, o espaço recebe propostas comunitárias, oferece atividades educacionais, saraus,
O Espaço Comum Luiz Estrela é símbolo potente de resistência cultural e urbana: um casarão centenário resgatado das ruínas, transformado por arte, coragem e engajamento coletivo. É lugar de memória viva, pluralidade estética e luta social, um testemunho do que pode ser feito quando a comunidade assume o comando da história — e do futuro — da cidade.







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