No Recife, onde a cultura brota do mangue, da maré, do asfalto quente das periferias e da criatividade das juventudes, a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) chega como sopro de permanência para quem faz arte com o que tem — e transforma o que vive em resistência.
Criada em 2022 e com validade até 2027, a PNAB garante R$ 3 bilhões por ano para os estados e municípios, consolidando uma política pública de fomento contínuo à cultura. Para o Recife e para Pernambuco, isso significa mais oportunidades para coletivos, mestres, griôs, brincantes, artistas de rua, grupos de dança, teatro, audiovisual independente, rodas de coco, poesia falada, hip hop, maracatus, afoxés e tantas outras linguagens populares.
A Cultura que Sobe do Chão
Na capital pernambucana, onde os bairros de resistência como Brasília Teimosa, Ibura, Pina, Bomba do Hemetério e Linha do Tiro respiram arte todos os dias, a PNAB vem para fortalecer iniciativas já existentes, como a Livroteca Brincante do Pina, que é espaço de leitura, rádio comunitária e palco para os caranguejos pensantes. Ou como o coletivo Pão e Tinta, que junta arte urbana, meio ambiente e justiça social em ações no mangue e no asfalto.
A PNAB reconhece que esses territórios não são “vazios culturais”, como historicamente foram tratados pelo poder público, mas sim centros vivos de criação, memória e inovação.
Como vai funcionar no Recife?
O município está elaborando seu Plano Anual de Aplicação de Recursos (PAAR) e será responsável por lançar editais específicos para artistas, coletivos e espaços culturais. A gestão deve priorizar:
Apoio direto a agentes culturais periféricos e populares;
Manutenção de espaços independentes e comunitários;
Formação e capacitação de jovens nas artes e na economia criativa;
Valorização das culturas tradicionais e de matriz africana;
Fortalecimento das redes e territórios culturais.
Os conselhos municipais de cultura e fóruns populares precisam estar atentos para garantir transparência e participação social na aplicação dos recursos. A cultura não pode ser feita apenas de gabinete — ela precisa ser construída com o chão da rua, das palafitas, dos terreiros e das praças.
Para quem vive da arte, isso é vida
A PNAB é também uma resposta concreta para quem vive da arte e ainda sofre com os impactos da pandemia, da precarização e da falta de reconhecimento. No Recife, centenas de trabalhadores e trabalhadoras da cultura atuam sem carteira assinada, sem segurança e sem políticas públicas de longo prazo.
Com os recursos da PNAB, artistas como Pedro Stilo, mestras como Dona Duda, grupos de brega funk, rodas de capoeira e slams podem não apenas sobreviver — mas expandir, ensinar, circular e inspirar.
Cultura como Direito, Não Privilégio
A PNAB é mais do que dinheiro: é um passo firme na construção de uma democracia cultural, onde o maracatu do bairro tem o mesmo valor que a ópera do centro. Onde a criança da beira do mangue pode sonhar ser artista e ter apoio pra isso. Onde a cultura é vista como direito, trabalho e política pública, não como luxo.
É hora de acompanhar os editais, ocupar os conselhos, fortalecer as redes e fazer com que essa política seja viva, popular e territorial.
Porque como diz a quebrada:
“A arte nos salva, mas também nos sustenta.”







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