Parque das Esculturas Nilo Coelho: onde o sertão vibra pedra e poesia.

Parque das Esculturas Nilo Coelho: onde o sertão vibra pedra e poesia.

Por Pedro Stilo – Blog Território Cultura

No meio da caatinga pernambucana, cercado por mandacarus, vento seco e silêncio, repousa um lugar onde a arte popular ganhou forma, peso e permanência. O Parque das Esculturas Nilo Coelho, em Brejo da Madre de Deus (PE), cidade da minha família Santos, é uma galeria a céu aberto que transforma o chão do Agreste num palco de memória, resistência e beleza.

Uma história esculpida com mãos do povo.
O parque nasceu em 1985, como uma continuação simbólica e prática do Teatro de Nova Jerusalém. Depois que a construção do teatro foi concluída, o idealizador Plínio Pacheco pensou em como manter viva a força criativa dos artesãos que haviam dado forma ao maior teatro ao ar livre do mundo.

Foi aí que surgiu o projeto do parque, com apoio do então governador Nilo Coelho, que deu nome ao espaço. As esculturas foram feitas por artistas locais — muitos deles sem formação acadêmica, mas com talento bruto e ancestral. Sob a orientação do mestre Manoel Cazé, cada pedra ganhou vida. Um trabalho coletivo que levou anos, suor e sabedoria popular.

Esculturas que contam o Nordeste
São mais de 36 obras monumentais, feitas em granito, com até 7 metros de altura e até 15 toneladas. As temáticas são profundamente nordestinas: rezadeiras, vaqueiros, mulheres rendeiras, sanfoneiros, Lampião que eu sempre via quando ia visitar a minha avó e tios, Maria Bonita, além de cenas simbólicas como a Morte carregando o Vivo — metáforas do ciclo da vida no sertão.

Caminhar pelo parque é como folhear um livro esculpido, onde cada escultura é um capítulo que fala de religiosidade, resistência, identidade e alegria. Um lugar que toca fundo, mesmo sem dizer uma palavra.

Território de arte e ancestralidade
O Parque das Esculturas ocupa uma área de 70 hectares e foi tombado como patrimônio cultural de Pernambuco pela Fundarpe. Está colado ao Teatro de Nova Jerusalém, o que faz da região um polo cultural com um enorme potencial turístico, educativo e simbólico.

Mas infelizmente, como tantos espaços de arte popular no Brasil, o parque também enfrenta desafios: falta de manutenção, sinalização precária e pouca visibilidade nas políticas públicas de cultura e turismo.

Por que visitar?
Porque o parque emociona. Porque ele prova que arte popular não é menor — é maior. Porque ele está fincado na terra e na memória de um povo que transforma a dureza da vida em poesia. E porque lugares como esse precisam ser conhecidos, valorizados e protegidos.

Se você for ao Agreste, principalmente durante a temporada da Paixão de Cristo, reserve um tempo para conhecer esse lugar. Leve água, câmera e coração aberto. O Parque das Esculturas Nilo Coelho não é só um destino: é uma travessia cultural.

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