✊🎨 Abelardo da Hora: o escultor do povo e da resistência

✊🎨 Abelardo da Hora: o escultor do povo e da resistência

Abelardo da Hora (1924–2014) foi mais do que um artista plástico: foi um cronista do povo nordestino esculpido em barro, bronze, madeira e papel. Escultor, desenhista, gravador e militante cultural, sua obra é marcada por uma profunda ligação com as lutas sociais, os sentimentos humanos e a cultura popular do Recife — sua cidade natal e eterna fonte de inspiração.

🌿 Infância, talento e formação

Nascido em 23 de julho de 1924, no bairro de Água Fria, Recife, Abelardo cresceu em meio à efervescência popular e às transformações urbanas da capital pernambucana. Desde cedo demonstrou habilidade com o desenho e a escultura, sendo incentivado a estudar arte ainda adolescente.

Foi um dos primeiros alunos da Escola de Belas Artes de Pernambuco, onde rapidamente se destacou pela força expressiva de suas obras e pelo compromisso em retratar as realidades da vida nordestina, em especial do povo trabalhador e das mulheres.

✊ Arte como denúncia

Nos anos 1940 e 1950, Abelardo participou de movimentos artísticos e políticos, se aproximando de intelectuais, poetas e militantes que acreditavam na arte como instrumento de transformação social. Essa visão o acompanharia por toda a vida.

Seu trabalho é visceral e humano: denuncia a fome, o autoritarismo, a repressão, o preconceito. Suas esculturas e desenhos retratam camponeses, operários, mães, mulheres oprimidas, corpos em dor ou êxtase, tudo com forte carga emocional e crítica social.

Ele próprio dizia:

“Minha arte tem posição. Ela não é decorativa. É de combate.”

🖌 Traços marcantes

As obras de Abelardo da Hora são reconhecíveis pelo traço firme, pelas formas curvas e densas e pela representação intensa de expressões e gestos. Sua série de desenhos sobre a repressão na Ditadura Militar é considerada uma das mais impactantes do período, com rostos gritando, corpos subjugados, olhares de dor e resistência.

Além dos desenhos, suas esculturas — muitas delas em bronze e barro — povoam espaços públicos de Pernambuco e de outros estados. Entre os destaques estão:

  • “A Mãe”, localizada no Parque 13 de Maio, no Recife;
  • “O Monumento Tortura Nunca Mais”, no bairro da Boa Vista;
  • “Mulher Rendeira”, em homenagem às mulheres trabalhadoras do Nordeste.

🏛 Legado cultural e institucional

Abelardo foi também um grande incentivador das políticas públicas de cultura. Fundou e dirigiu o Museu de Escultura Francisco Brennand e foi o primeiro diretor do Departamento de Cultura da Prefeitura do Recife, onde articulou ações de valorização dos artistas locais.

Ao longo da vida, recebeu diversas homenagens e prêmios, mas sempre manteve o olhar atento ao povo, preferindo as ruas aos salões. Faleceu em 23 de setembro de 2014, aos 90 anos, deixando um acervo riquíssimo e um exemplo de coerência artística e política.

🌻 O eterno escultor da esperança

A obra de Abelardo da Hora permanece viva nos muros, nas praças, nas galerias e, principalmente, na memória popular. É impossível não sentir algo ao se deparar com um de seus desenhos ou esculturas: sua arte pulsa humanidade, denuncia injustiças e exalta a força do povo nordestino.

Em tempos de retrocesso ou de reconstrução, seu legado ecoa como um chamado:
a arte pode e deve ser resistência, denúncia, beleza e afeto.

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