Uma das bandas mais influentes da música brasileira contemporânea, a Nação Zumbi ganha agora uma série documental à altura de sua história: “No Movimento das Marés”. Dividida em episódios que resgatam a força criativa e política do movimento manguebeat, a produção mergulha fundo nas origens, caminhos e impactos da banda recifense que revolucionou a música nos anos 1990.
Lançada em 2024 e dirigida por Joaquim Castro, a série é uma verdadeira ode ao poder transformador da cultura de periferia, ao tempo em que reconstrói, com imagens raras, depoimentos emocionantes e trilha sonora marcante, a caminhada da Nação Zumbi — desde os tempos de Chico Science até a formação atual, passando por desafios, perdas e reinvenções.
Do mangue à maré: um movimento que não seca
O título “No Movimento das Marés” não poderia ser mais simbólico. Ele faz alusão direta ao manifesto Caranguejos com Cérebro, base ideológica do manguebeat, que propunha um movimento cultural capaz de misturar tradição e modernidade, lama e tecnologia, regionalismo e cosmopolitismo. Assim como as marés, a arte da Nação Zumbi segue em fluxo constante, desafiando as fronteiras do tempo e do espaço.
A série vai além da música: ela mostra como o grupo — e o movimento como um todo — atuou como ferramenta de crítica social, enfrentando racismo, desigualdade, apagamento cultural e as dificuldades de fazer arte no Brasil.
Imagens inéditas e vozes fundamentais
“No Movimento das Marés” traz imagens de arquivo poderosas, muitas nunca antes exibidas, como registros de shows históricos, bastidores, entrevistas com Chico Science e gravações de ensaios nos becos do Recife Antigo. Também colhe depoimentos de figuras fundamentais para a construção do movimento manguebeat, como Fred Zero Quatro (Mundo Livre S/A), DJ Dolores, Siba, Gustavo da Lua, além de músicos e produtores da cena atual.
Ao mesmo tempo, a série apresenta a perspectiva dos integrantes da banda ao longo dos anos — como Jorge Du Peixe, Dengue, Lucio Maia — e revela como cada um seguiu mantendo viva a energia pulsante do mangue.
A importância da memória cultural
Mais do que contar a história de uma banda, “No Movimento das Marés” cumpre o papel fundamental de preservar e celebrar uma das revoluções culturais mais autênticas do país. Em tempos de ameaça à diversidade cultural, o resgate da trajetória da Nação Zumbi reafirma o papel da arte como linguagem de resistência, pertencimento e reexistência.
A série também dialoga com o presente, mostrando como o legado do manguebeat segue influenciando novas gerações, tanto na música quanto nas artes visuais, nas periferias e nos movimentos sociais. É uma aula de cultura popular, política e sonoridade afroindígena-brasileira.
Onde assistir
“No Movimento das Marés” está disponível em plataformas de streaming e em circuitos alternativos como cineclubes, festivais de cinema e mostras independentes. Cada episódio é uma maré de imagens, sons e sentimentos — que nos arrasta de volta ao mangue, ao palco e à rua.







Deixe um comentário